19/06/15

Tolerância religiosa, cidadania e os conflitos causados pelo fundamentalismo religioso




Há pouco proferi uma palestra sobre tolerância religiosa e cidadania no Colégio de Aplicação da Fundação Educacional de Macaé. Uma consideração breve a respeito da diversidade religiosa e como o fundamentalismo religioso tem agravado as discriminações e violências sofridas por praticantes de religiões minoritárias, principalmente quando este fundamentalismo invade o campo político.

Explico, novamente, o que quero dizer com fundamentalismo: uma leitura da Bíblia, do Alcorão ou de qualquer texto sagrado, tomada ao pé da letra (ou seja, sem uma interpretação à luz dos conhecimentos científicos e do progresso material), e que tende a condenar tod@s aquel@s que não compartilham a mesma linha ideológica. Nascem aí conflitos, ataques e discursos de ódio e intolerância, nos púlpitos ou nas ruas, que negam a cidadania a profissionais do sexo, gays, lésbicas, bissexuais, transgêneros, travestis, transexuais, usuários recreativos de drogas, praticantes de religiões de matriz africana, espíritas, ateus e agnósticos, judeus, povos islâmicos – como os libaneses, tão presentes na nossa cultura -, povos quilombolas e indígenas, e muitos outros.

Não acredito em coincidências – prefiro falar em sincronicidades -, mas esta palestra ocorre em uma semana de muitas notícias ruins. Noticiamos aqui o caso da menina adepta ao Candomblé apedrejada sob ofensas, no Rio de Janeiro. Vimos também o ataque de um franco atirador no interior de uma igreja nos EUA, motivado pelo ódio e pela intolerância racial, em que morreram 9 pessoas, todas negras. Hoje, dois casos chamam a atenção pela possibilidade de terem sido motivados pela intolerância religiosa: o médium Gilberto Arruda foi encontrado morto, amarrado e com marcas de violência física, no Rio de Janeiro. Em Uberaba, vândalos tentaram destruir o túmulo de Chico Xavier. Os autores desses dois crimes ainda não foram identificados. Tempo ruim!

Seguiremos monitorando os casos para acionar os órgãos competentes, caso necessário, e assino aqui o abaixo-assinado criado por Kayllane Campos, a menina que foi agredida ao sair de um culto de candomblé, pedindo que o Governo Federal realize uma campanha sobre liberdade religiosa: http://www.change.org/LiberdadeReligiosa.

 

 

Créditos das imagens:

1. Guilherme Pinto / Extra
2. Stephen B. Morton / AP
3. Divulgação/ Centro Espírita Lar de Frei Luiz
4. Eurípedes Higino

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