10/04/16

Sob ameaça de processo judicial, jornalista d’O Globo manipula dados de planilha orçamentária para sustentar uma mentira




 

Ontem, o jornalista Luiz Antônio Novaes, do GLOBO, publicou uma matéria caluniosa afirmando que o governo havia pago “ao deputado Jean Wyllys” emendas ao orçamento de 2016 num valor total de 22 milhões de reais. O título da matéria, “O preferido“, insinuava que eu recebo um tratamento privilegiado do governo e o texto associava o suposto privilégio ao meu posicionamento contra o impeachment da presidenta. Por último, o texto falava em dinheiro “levado” pelos deputados, como se as emendas (que nada mais são do que indicações que os deputados fazem para destinar recursos a uma determinada política pública, por exemplo, um hospital ou uma universidade) fossem um benefício recebido de forma personal ou administrado pelo parlamentar. A conclusão era simples: Jean Wyllys é contra o impeachment porque recebeu 22 milhões. Isso se chama calúnia, é crime e, como eu disse ontem, eles responderão na justiça. Contudo, volto a tocar o assunto porque hoje, o jornal publicou uma nova matéria reagindo à minha resposta de ontem, na qual “retificam” (mal) a informação, pedem falsas desculpas pelo erro… mas mentem de novo!

O que diz, agora, o novo texto de Novaes? Que houve um erro no artigo de ontem, que não eram 22 milhões, mas “apenas” 2,2 milhões, mas que isso não muda o fundo da questão: a União “pagou… ao deputado Jean Wyllys” por proximidade política. Isso mesmo, ele afirma que a união ME pagou. De acordo com o caluniador Novaes, o erro dele foi, apenas, a multiplicação por DEZ do valor supostamente pago. Se fosse apenas isso, já seria uma enorme falta de profissionalismo, mas o “erro” é bem mais grave:

1) As emendas não são pagas “ao” deputado. Se eu faço uma emenda solicitando, por exemplo, 500 mil reais para um hospital público, o dinheiro vai diretamente para o hospital. Eu não recebo, não administro e não tenho absolutamente nenhum contato com esse dinheiro, apenas indico que esse hospital está precisando de grana e o governo dá a grana diretamente a ele, desde que cumpridos todos os requisitos exigidos na Lei Orçamentária Anual e nas diversas portarias interministeriais emitidas. No meu texto de ontem, eu prestei contas para vocês saberem quais foram exatamente as minhas emendas.

2) Como eu já disse ontem, as emendas de 2016 ainda não foram pagas. NENHUMA. Apenas algumas foram empenhadas. Ou seja, não são 22 milhões, nem 2,2 milhões, nem 220 mil nem 22 reais e nem R$ 2,20. É zero. O jornalista publica no site uma tabela de execução orçamentária, mas faz uma leitura equivocada dos dados. Por exemplo, a tabela diz que eu destinei uma emenda de 550 mil reais à Universidade Federal Fluminense, o que é verdade, e que já foram pagos à universidade 9.227.603 reais. Contudo, como uma criança no ensino fundamental poderia entender, não tem como esses 9 milhões fazerem parte da minha emenda, que era de apenas 550 mil. Esse valor corresponde ao total de recursos que a universidade recebeu, do total que foi autorizado para ela (R$ 171.373.144), que pode incluir ou não a minha emenda. O mesmo vale para as outras listadas na tabela.

3) Na parte da tabela que diz “Valor Aprovado” estão os valores das emendas que foram aprovadas dentro da Lei Orçamentária Anual, que, por força do orçamento impositivo, deveriam ser valores imutáveis. Todavia, todos os anos há um contingenciamento de valores do orçamento da União, o que também afeta as emendas individuais. Onde diz “Empenhado” se somam todas as emendas empenhadas para esse destino (por exemplo, a UFF), e onde diz “Pago”, as que foram pagas, que podem incluir ou não incluir a minha. E de fato não incluem.

Depois de sugerir que o problema da matéria dele foi apenas a vírgula, porque 2,2 milhões viraram magicamente 22 milhões, o jornalista diz que “Independentemente dos valores, a discussão sobre emendas individuais sempre foi relevante para o interesse público, pois historicamente são beneficiados com a liberação de recursos os parlamentares mais próximos do poder”. Ou seja, ele insiste na ideia de que eu sou “mais próximo ao poder” e, por isso, sou tratado de forma privilegiada. Mas, novamente, ele baseia essa afirmação em informações falsas. Repito: as emendas de 2016 ainda não foram pagas.

O jornalista diz que eu “poderia buscar explicações na Comissão Mista de Orçamento”, mas a questão não é apenas buscar. É preciso ENTENDER as tabelas orçamentárias. Acontece que, independentemente de eu estar deputado, eu sou jornalista e, portanto, eu sei que um jornalista deve checar as informações. Já é a segunda vez que Novaes publica informações falsas e, em ambos os casos, ele deixou de fazer o básico da profissão e do bom jornalismo: entrar em contato comigo ou com meu gabinete para ouvir nossas explicações. A gente poderia ter oferecido a ele um cursinho básico para ele entender as tabelas que publica e saber o que elas realmente dizem. Eu também poderia ter enviado a ele as leis, portarias interministeriais e atos administrativos relacionados com as emendas, para que ele aprenda como funcionam. Aliás, eu poderia ter explicado a ele que nós do PSOL somos muito críticos às emendas individuais e achamos que esse sistema deveria mudar, mas fazemos uso delas porque seria absurdo não utilizar uma ferramenta que nos permite, como eu faço, destinar esse dinheiro a hospitais, universidades, escolas, políticas de direitos humanos, etc. Não usamos as emendas para fazer politicagem, mas para melhorar a saúde, a educação, a cultura. E informamos com absoluta transparência sobre nossas emendas para que nossos eleitores saibam.

Mas o fato é que o autor da matéria caluniosa nunca se interessou com a verdade. Em vez de investigar os corruptos que roubam dinheiro público, O GLOBO prefere perseguir um deputado honesto por motivações políticas, insistindo em acusá-lo de receber um tratamento privilegiado do governo, o que é mentira. O que querem é passar a ideia de que eu sou contra o impeachment porque o governo paga minhas emendas, destinadas a horpitais, universidades e outros serviços públicos necessários para a população. E vejam como nada é por acaso: hoje o Correio Braziliense publicou outra matéria que não cita meu nome, mas fala do PSOL, usando o mesmo argumento: que nossas emendas foram privilegiadas. E também faz isso publicando informações falsas. Para vocês verem que não tem inocência nessa história, é algo orquestrado!

Não, senhores, eu sou contra o golpe porque eu defendo a democracia!

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