10/08/17

POR QUE SOU CONTRA O DISTRITÃO?




Os ladrões, os corruptos, os cleptocratas, os exploradores, os oligarcas querem se perpetuar na política e deixar seus cargos eletivos de herança para seus filhos e netos; querem a riqueza do país e o bem-estar só pra eles! E, para isso, é uma manobra nova a cada dia.

A base governista conseguiu aprovar em comissão (mas ainda tentaremos derrubar no plenário, e a pressão social é fundamental para isso) novas regras para a eleição de parlamentares que são um novo golpe contra a democracia. Eles querem aplicar nas eleições de 2018 o sistema conhecido como “distritão”, tão ruim e bizarro que existe apenas nas Ilhas Pitcairn e Vanuatu, na Jordânia e no Afeganistão, países nada democráticos. Quando abandonou um modelo semelhante, na década de 90, o Japão alegou que ele estimulava casos de corrupção e caixa dois. Pois é!

Se esse sistema tivesse sido usado nas últimas eleições municipais, o PMDB, que elegeu 10 vereadores no Rio de Janeiro, teria obtido 17. Se valesse em 2014, partidos como PSD ampliariam sua bancada federal de 36 para 42 deputados, às custas de 30 milhões de eleitores que perderiam sua voz. Sim: os votos de 30 milhões de pessoas simplesmente não valeriam nada!

Como funciona o distritão? A votação seria exatamente igual a como foi até agora, mas só seriam eleitos os candidatos individualmente mais votados, desprezando os demais votos de cada legenda. Um determinado partido pode obter um alto número de votos, mas se nenhum dos seus candidatos ficar entre os mais votados, não elege ninguém. Por exemplo, se você, em vez de votar em mim ou no Chico Alencar, tivesse votado em outro candidato menos conhecido do PSOL que não chegou a estar entre os 46 mais votados do Rio de Janeiro, seu voto não seria contabilizado, não iria mais para a legenda; ele simplesmente não valeria nada.

Eu fui o sétimo deputado federal mais votado do Rio de Janeiro na última eleição, com quase 145 mil votos. O distritão, pessoalmente, é bom para mim, porque fortalece os candidatos mais conhecidos e que já têm mandato; mas ele é muito ruim para a democracia e por isso eu sou contra!

1- Os partidos com mais grana e aparelhamento do Estado têm ainda mais chances do que agora de eleger mais parlamentares.

2- Os partidos ideológicos (que têm muitos eleitores que votam mais na legenda do que no candidato, e que não têm dinheiro para bancar dezenas de campanhas individuais) perdem a maioria dos votos, que são descartados.

3- Os parlamentares atuais tem MUITA mais chances de serem reeleitos, e a renovação da política será cada vez mais difícil. Um candidato novo (e principalmente mulheres, negros, trabalhadores, jovens, LGBT) terá ainda mais dificuldades que agora. E um empresário ou alguém com muita grana terá ainda mais facilidades.

4- Os partidos tendem a desaparecer como representação de um programa e ideias e a política se torna cada vez mais individualista. Não vale mais você simpatizar com o PSOL, o PT, o PSDB, o DEM… o que importa é o candidato. A política se “fulaniza” ainda mais.

Por que eles querem isso? Porque os beneficia, claro. Porque é a forma de termos em 2018 um parlamento ainda mais corrupto e reacionário.

Precisamos impedir esse novo golpe que a máfia política brasileira quer dar na democracia para garantir um Congresso ainda pior, mais reacionário e corrupto que o atual!

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