03/11/14

Jean Wyllys palestra durante o I DiverCidade




A Escola de Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação do Distrito Federal realiza durante esta semana o I DiverCidade – Encontro de Formação em Diversidade e Educação do Distrito Federal, discute projetos educacionais, dentro e fora das escolas, públicas e particulares, com instituições e movimentos sociais. Questões Étnico-Raciais, de Gênero e Sexualidade, Educação Especial e Inclusão, Educação do Campo, Direitos Humanos e Socioeducação, Transtornos Funcionais e Educação Ambiental estão plenamente contempladas durante os cinco dias de evento.

Convidado para abrir o evento, o deputado Jean Wyllys (PSOL/RJ), que viveu a infância em situação de extrema pobreza, falou sobre a necessidade da educação como elemento de transformação de realidades: “A Educação sempre foi algo importante na minha vida. O conhecimento me livrou dos destinos imperfeitos e foi fundamental para que eu transformasse a minha vida. Eu quero lutar para que a minha história seja regra, para que haja um Estado de direito que dê a todas as pessoas as oportunidades necessárias para que elas transformem as suas vidas sem precisarem de tanto esforço”.

Segundo Wyllys, é fundamental que as crianças e adolescentes encontrem um lugar seguro e acolhedor nas escolas, de modo que se sintam protegidos para construir, livre do bullying, da intolerância e do preconceito, uma vida com pensamento. O deputado lembrou a parábola do semeador para enfatizar a importância de educadoras e educadores serem como terrenos férteis, prontos para semear o bem. Para isto, disse Wyllys, é fundamental que estejam abertos para entender e lidar com as diversidades que se expressam dentro das salas de aula.

Com destacada atuação na área de direitos humanos, Wyllys tem defendido e cobrado dos governos o respeito à diversidade nos currículos escolares como forma de superar preconceitos, reduzir a violência e o bullying no ambiente escolar e assegurar que os jovens, em especial os mais vulneráveis, não abandonem a escola graças à hostilidade de colegas e professores. “Diversidade é diferença. Nós não somos iguais na vida, somos todos diferentes um dos outros e por sermos diferentes uns dos outros por diferentes motivos, nós construímos uma diversidade, que precisa ser respeitada. Por exemplo, na medida em que eu me identifico com outro gênero e quero ser chamado por outro nome, eu devo ser respeitado. Quando uma pessoa vai ao salão de beleza esticar os cabelos com chapinha e tingir com tintura creme, não é a natureza. Ela faz isto para se sentir mais bonita e feliz consigo mesma, e porque é um direito dela. Estamos entrando em um terreno da cultura, não da natureza”, explicou. “Não temos o direito de chegar em sala de aula e dizer ao nosso aluno homossexual ‘você tem que mudar porque você não está de acordo com o que a natureza te deu para o seu sexo’. Como assim ‘a natureza deu’, se somos seres culturais? Se a gente usa roupa, como vamos falar em natureza com um aluno?”

Em abril deste ano a Câmara discutiu a diversidade de gênero na construção do Plano Nacional da Educação. Assista aqui a fala do deputado Jean Wyllys em defesa da dignidade de absolutamente todos e todas as pessoas durante a reunião da Comissão Especial dedicada ao tema:

 

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