12/11/14

Jean Wyllys palestra durante curso de formação continuada voltado a profissionais do magistério




O deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) participou, hoje, do Encontro de Formação Continuada da SECADI, Secretaria do Ministério da Educação responsável pela formação continuada de profissionais do magistério para a diversidade e a inclusão. No encontro, realizado na Universidade de Brasília, o deputado falou sobre a importância da escola como um espaço de aprendizado para a tolerância e o respeito à diversidade, e da educação como transformadora de vidas e realidades, que leve a/o alun@ à crítica daquilo que a/o cerca.

Em sua atuação no parlamento, o deputado Jean Wyllys vem defendendo que a escola precisa trabalhar a temática da diversidade, a fim de garantir que todos e todas tenham pleno acesso à educação. Hoje, apesar da precariedade dos dados, pesquisas apontam que o bullying homofóbico é uma das principais causas de evasão escolar em todo o país. Muitos dos alunos que retornam aos estudos, na Escola de Jovens e Adultos, relatam que abandonaram a escola anteriormente por não se sentirem à vontade na escola, por conta do medo e da agressão física. O Bullying homofóbico não atinge apenas alun@s homossexuais e transgêneros, mas também aqueles e aquelas que não correspondem aos modelos de gênero impostos pela cultura.

“Não somos fruto da natureza, somos seres culturais. E essa cultura tenta se reproduzir mantendo a vigilância sobre os papéis de gênero. Por isto é que, no RJ, um garoto foi espancado até a morte pelo pai porque gostava de lavar louça e dançar dança do ventre. Essa cultura, por meio da homofobia, diz que este garoto está errado porque estas coisas são ‘coisas de menina’. Esta sociedade e esta cultura não admitem isto, e estes valores estão introjetados em nós, sem que percebamos, e por conta disto nós não sabemos lidar com quem é diferente”, alerta o deputado, citando o caso do garoto Alex, espancado até a morte aos oito anos de idade pelo pai, que, em depoimento à polícia, insistia que o filho “tinha que ser homem”.

Segundo o deputado, muitos educadores e educadoras justificam estas violências sofridas por alunos ‘diferentes’ colocando a culpa nas próprias vítimas: ‘Quem mandou ele ter este jeitinho?’. “Mas o que leva alguém a não se identificar com o papel de gênero, desde cedo? O que faz alguém, desde a tenra idade, a não se identificar com a pele que habita?” questionou o deputado para um auditório com cerca de 500 professores e professoras de todo o Brasil. “A gente não tem nenhuma conclusão sobre isto, mas estas pessoas existem! Em nossos preconceitos queremos apagar estas pessoas, seja negando seus direitos, invisibilizando-as ou até mesmo exterminando-as. Não temos o direito de chegar em uma sala de aula e dizer ao nosso aluno ‘você tem que mudar porque você não está de acordo com o que a natureza te deu para o seu sexo’. Como evocar a natureza quando recorremos a todo tipo de intervenção estética em busca da satisfação com a própria aparência?”, assinalou, reforçando o papel dos próprios docentes na construção de um ambiente escolar menos hostil.

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