25/08/15

Jean Wyllys fala sobre homofobia na ditadura e na atualidade durante a Anistia Cultural




ASCOM/Jean Wyllys

Começou nesta segunda-feira, 24, a 20º Anistia Cultural da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça (MJ), que, com mais de 50 atividades pelo Brasil afora, tem como objetivo relembrar os 36 anos da Lei de Anistia. A semana foi aberta com o evento “Repressão à Homossexualidade na Ditadura e a Homofobia na Democracia”, que contou com a participação do deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) e a exibição do filme “Favela Gay”, seguida de uma mesa de debate sobre a repressão à homossexualidade na ditadura e a homofobia na democracia.

Em sua fala, o deputado Wyllys relembrou que durante a ditadura militar as pessoas da comunidade de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBTs) eram discriminadas tanto pelos agentes de um Estado terrorista quanto pelos próprios aparelhos de resistência à ditadura e ressaltou a importância de considerar que a discriminação à essa comunidade não pertence a nenhum espectro político. “Vários homossexuais foram expulsos de organizações de esquerda por serem homossexuais. E os que permaneceram tiveram que se calar porque os comunistas de então consideravam a homossexualidade um ‘vício’ da burguesia”, disse o deputado, conclamando os presentes a enfrentarem esse preconceito de forma ampla e suprapartidária.

O deputado demonstrou sua preocupação com o fato de discursos da época da ditadura estarem encontrando espaço nas declarações de manifestantes, e defendeu que só o fortalecimento da democracia pode possibilitar a realização de um filme como o “Favela Gay”, que revela como a articulação das diferentes posições de sujeito ampliam a miséria de vida das pessoas.

Além do deputado, participaram também do debate Rodrigo Felha, Ana Murgel e Cacá Diegues, respectivamente diretor, roteirista e produtor do filme, Paulo Abrão, presidente da Comissão de Anistia, os professores James Green e Renan Quinalha, autores do livro “Ditaduras e homossexualidade”, João Nery (transhomem homenageado pelo projeto de lei de identidade de gênero) e Rafael Lira

Sandra Maria Carnio, vítima de perseguição durante a Ditadura, Maria Fernandes, ativista do Coletivo de Feministas Lésbicas de São Paulo e o historiador James Green, cujos estudos sobre Ditadura e homossexualidade influenciaram o relatório final da Comissão Nacional da Verdade foram homenageados na ocasião.

Saiba mais sobre o encontro:
http://www.brasil.gov.br/cidadania-e-justica/2015/08/homossexuais-violentados-na-ditadura-recebem-homenagens 

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