17/08/15

Jean Wyllys em entrevista ao Correio Braziliense: “O governo está numa encruzilhada”




Fotos: Minervino Junior/CB/D.A Press

Jean Wyllys parece cada vez mais confortável no Congresso. Um dos principais defensores das bandeiras sociais, especialmente ligadas à causa LGBT, o deputado eleito pelo Rio de Janeiro mostra-se seguro e certeiro a cada confronto, seja com parlamentares ligados a causas conservadoras, seja quando as críticas são direcionadas ao governo da presidente Dilma Rousseff.

Durante entrevista de mais de uma hora, na tarde da última quinta-feira, numa sala da liderança do PSol na Câmara, Wyllys criticou os cortes orçamentários nas áreas de Educação e Saúde, atribuiu parte da insatisfação popular com Dilma às medidas do ajuste fiscal e disse que a luta por direitos das minorias não está entre as prioridades do governo. “Não era o que eu esperava. Não foi o compromisso que ela e a equipe de campanha fizeram informalmente comigo quando eu decidi apoiá-la no segundo turno”, afirmou.O deputado destacou ainda que a capacidade crítica de movimentos sociais em relação ao governo foi prejudicada à medida que os governos petistas, especialmente durante a gestão Lula, levaram representantes de entidades para dentro da administração pública.

Sobre o momento atual, Wyllys acredita que houve um recuo das críticas à gestão Dilma devido ao medo do mercado financeiro e dos grandes empresários de que se chegasse a um cenário irreversível de instabilidade política. Ele também avaliou a atual força do conservadorismo no Congresso, a atuação do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e as manifestações marcadas para hoje.Em que o Congresso atual reflete a sociedade?
Acho que o Congresso atual reflete muito a sociedade. E reflete, sobretudo, um modelo eleitoral. Reflete como se dão as eleições no Brasil. Vence quem tem dinheiro.

O Congresso mais conservador significa que a sociedade está mais conservadora?
O Congresso mais conservador não quer dizer, necessariamente, que a sociedade esteja mais conservadora. A novidade deste Congresso é a ampliação de pessoas ligadas às igrejas neopentecostais, às forças de segurança e aos grandes negócios.

O papel do parlamentar deve atender às demandas do povo ou tomar atitudes adequadas ao país?
Você precisa de alguma popularidade para se eleger, mas, se quiser governar, tem que ser impopular. Para mim, política é isso: discernimento. Você nunca vai me ouvir dizendo aquilo que as maiorias querem ouvir, apenas para agradá-las ou para garantir meu próximo mandato. Estou deputado, não quero me perpetuar aqui.

A proximidade dos movimentos sociais com os governos do PT atrapalhou a atuação desses setores?
A relação dos movimentos sociais com o PT era esperada. O problema é quando o presidente Lula coopta as lideranças desses movimentos e os torna gestores públicos. Isso tira a capacidade crítica dos próprios movimentos em relação ao governo. Se continuassem independentes, a pressão sobre o governo poderia ser muito maior, e poderíamos ter tido mais avanços nessa área.

A entrevista completa está disponível AQUI, em PDF.

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