26/09/13

Frente Parlamentar em Defesa da Cultura discute orçamento e programas culturais com Ministra Suplicy




Foto: Mídia NINJA

A Frente Parlamentar Mista em Defesa da Cultura se reuniu nesta terça-feira, 24, com a Ministra da Cultura, Marta Suplicy e o secretário-executivo do Ministério, Marcelo Pedroso, para discutir o orçamento da Cultura e os programas do Ministério.

O deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), membro da Frente, ponderou para o secretário-executivo sua satisfação com os projetos considerados prioritários pelo Ministério e o questionou a respeito da área temática das bibliotecas, sobre museus e a conexão do Ministério com programas de fomento à leitura e frequentação de museus. “Esse equipamento de cultura chamado biblioteca pressupõe um programa de fomento à leitura”, disse o deputado. Para ele, é fundamental a formação de novos leitores: “Os índices de leitura no Brasil são um escândalo – me parece que 1/3 dos brasileiros lê e, desse terço, lê apenas quando está no período escolar, depois não lê mais. O mesmo eu pergunto sobre os museus. Museus são muito pouco frequentados e há pouco estímulo à frequência de museus”. O deputado também questionou sobre as conexões entre o Ministério da Cultura e o Ministério da Educação no que diz respeito às políticas para bibliotecas.

A existência de um mapeamento na construção de projetos prioritários para modernizar os espaços de fomento e preservação da cultura negra foi outro ponto levantado pelo deputado. Segundo ele, há uma prioridade, sobretudo nos Estados onde essa herança cultural africana é estruturante na identidade desses Estados, como, por exemplo, Maranhão, Rio de Janeiro, a Bahia, e o Rio Grande do Sul. “O maior número de terreiros de Candomblé e centros de Umbanda estão centrados no Rio Grande do Sul e não em Salvador e Recôncavo Baiano”, afirmou o deputado, destacando a ousadia do Ministério na implantação do Centro de Referência da Cultura Negra.

Wyllys destacou a ousadia da Ministra da Cultura em implantar um Centro de Referência da Cultura Negra em um país que, segundo ele, tem dificuldade, por exemplo, de implementar uma lei já aprovada que assegura, no âmbito da Educação Básica, o ensino da história da África e da herança cultural africana: “São as contradições deste país”, disse. “Nós aprovamos uma lei que diz respeito à transmissão desse conhecimento no âmbito da Educação, que é importante para as novas gerações, mas há uma resistência enorme na ponta – professores da Educação Básica que demonizam a cultura de raiz africana, que discriminam os alunos adeptos de religiões de matriz-africana”.

Wyllys provocou o Ministério da Cultura para que trabalhe em sincronia com o Ministério da Educação, na articulação com os demais entes da Federação, na implementação do Ensino da História da África e da herança cultural africana para que enfrentem inclusive a resistência dos professores. “É inadmissível que um país em que a identidade cultural se aceite na herança de matriz-africana, demonize isto no âmbito da escola. Inclusive discriminando os alunos”, concluiu.

Já na presença da Ministra Suplicy, o deputado Wyllys refez suas considerações sobre a coragem do governo na área temática em respeito à cultura negra, ressaltando que o Ministério  já tem algumas ações na área da cultura sexodiversa, uma destas ações realizadas a partir de emenda sua destinada ao Ministério da Cultura.

Wyllys também defendeu a urgência da votação do Marco Civil, relatando recente ação do Google que retirou temporariamente do ar o seu canal do YouTube. O episódio aconteceu no início desta semana e foi provocado por um vídeo explicativo sobre o projeto de Lei Gabriela Leite – uma demanda do movimento das profissionais do sexo no Brasil – de autoria do deputado. “Foi orquestrado um ataque contra o meu canal, com denúncias, e não só tiraram o conteúdo do ar, mas tiraram todo o canal sob o argumento de que o conteúdo era inadequado”, disse Wyllys. “Ao mesmo tempo esse mesmo Google e Youtube mantém no ar conteúdos racistas, homofóbicos, misóginos, de ofensas à dignidade da mulher, e quando cobramos que esse conteúdo seja retirado do ar, eles alegam a tal da liberdade de expressão e que por isso o conteúdo não pode ser retirado. Urge que enfrentemos essa questão em relação às empresas de telecomunicações e as corporações de comunicação definir o que é e o que não é legal, o que é e o que não é possível dentro do Marco Civil”, concluiu o deputado.

 

Assista a íntegra da reunião:

 

 

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