11/04/18

Comissões externas da intervenção e de acompanhamento das investigações da execução de Marielle e Anderson se reúnem com ministro da Defesa e interventor militar do Rio de Janeiro




Aconteceu ontem a reunião das comissões externas que acompanham a intervenção militar no Rio de Janeiro e as investigações do brutal assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes. Participaram da reunião o ministro interino da Defesa, Joaquim Silva e Luna, o general a cargo da intervenção do Rio de Janeiro, Walter Braga Netto, e o general Richard Fernandez Nunes, secretário de Segurança do Rio.

Também estiveram presentes na reunião mais de quinze deputados e deputadas federais, que são membros das duas comissões. O deputado Jean Wyllys estava lá como coordenador da comissão externa que acompanha as investigações sobre o assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes e fez perguntas em relação a essa investigação.

O general Richard disse que as investigações estão avançando e traçou uma comparação entre as execuções de Marielle e Anderson e a da juíza Patrícia Acioli. Comparando essas duas investigações, o general disse que, decorrido o mesmo período de tempo, as investigações acerca das execuções de Marielle e Anderson estão mais avançadas. O general Richard não abriu muitos detalhes, segundo ele disse, para não prejudicar e comprometer a investigação, segundo o próprio.

Os parlamentares perguntaram, então, como essas informações estão sendo vazadas pela imprensa. Se há um vazamento seletivo, deliberado, por parte dos investigadores, como forma de ajudar a própria investigação. O general Richard negou isso e disse que não tem interesse nos vazamentos, também menosprezou as duas testemunhas achadas pelo jornal O Globo: disse que não colaboravam em nada para as investigações e que ele já conhecia as informações dadas por essas duas testemunhas antes d’O Globo publicar a matéria.

O general também falou que a delegacia que está cuidando da investigação do assassinato do colaborador do vereador Marcello Siciliano (PHS), que depôs sobre o caso, é a mesma que está conduzindo as investigações acerca do crime de Marielle e Anderson, e que esse assassinato será levado em conta. Ele não afirmou, mas também não descartou a possibilidade de “queima de arquivo”, principalmente quando o vereador foi ouvido nas investigações.

Ele também negou a informação, publicada pelo The Intercept, de que houve quebra de sigilo telefônico de vereadores, porque a quebra tem que ser solicitada pela justiça e, por enquanto, não houve nenhum pedido nesse sentido.

Wyllys perguntou ao general Richard se, com base no que foi colhido até agora pelas investigações, as figuras públicas do PSOL, que estão posicionadas no campo da esquerda, defensores de direitos humanos como Marielle era, deveriam continuar se sentindo ameaçados. Se a partir dos dados que ele tem, considera que devem ou não fortalecer a segurança. O general não pode dar uma resposta definitiva porque, segundo ele, embora as investigações estejam bem avançadas, ainda não está clara a motivação do crime. Ele não acredita que outro assassinato vá acontecer e disse que as polícias do Rio de Janeiro, os interventores e a investigação estão trabalhando para garantir a segurança dos parlamentares, das figuras públicas de esquerda e também de todos os cidadãos. Ele disse que não está claro que os grupos de direitos humanos estejam ameaçados, mas que parte do recurso destinado à intervenção, que é mais de R$ 1 bi e 200 milhões, certamente será usado na proteção de defensores de direitos humanos e de eventuais testemunhas.

O mais importante da reunião foi que tanto o interventor Braga Netto quanto o secretário Fernandez Nunes foram contundentes em dizer que o papel das instituições públicas, sobretudo das instituições de segurança pública, é garantir os direitos humanos. Wyllys ressaltou que, ao dar esse discurso, ele devia se comprometer publicamente com uma política de renovação e formação das polícias, no sentido de respeitar os direitos civis e tratas os moradores das favelas e das zonas empobrecidas como cidadãos.

Foi surpreendente o Braga Neto falar sobre os dados das medidas socioeducativas. Falou que tinham sido interrompidos pelo governo os recursos ao programa de acompanhamento de crianças e adolescentes infratores, que resultava em um baixíssimo número de reincidências, elevando-se bastante, graças à suspensão, o número de reincidências. Ele disse que medidas socioeducativos são importantes e que, ao contrário do que afirmam os deputados federais “linha-dura”, a redução da maioridade penal não é saída.

É um dado interessante: quando um general tem acesso a dados, ele é capaz de proferir um discurso muito próximo ao nosso em defesa dos direitos humanos e de medidas socioeducativas. Essas foram duas coisas importantes da reunião.

Sobre a notícia d’O Globo de que as digitais foram encontradas nos projeteis do assassinato de Marielle, Braga Neto falou que é algo importante para a investigação, mas não sabe dizer como essa informação vazou.

Compartilhe:
Share on Google+